quarta-feira, 7 de julho de 2010

Carta a um Amigo



Trabalho no meio comercial já há quase 15 anos, e durante esse período, além da vivência e experiência profissional (a qual acredito damos um valor excessivamente exagerado), tão importante quanto é a vivência com as pessoas que nos possibilita o sagrado exercício da tolerância e paciência (isso sim, muitíssimo importante).


Durante nossa vida, aprendemos sempre a nos defender, mesmo que inconscientemente das outras pessoas para não perdermos nosso espaço, e isso ocorre em todos os campos da convivência humana (isso acontece mesmo em nossa casa). E como fazemos isso? Nos fechamos! Coisa mais simples, não é! Nos fechamos para demonstrar à outra pessoa (pretenso concorrente), que você não irá abrir espaço para que ela se achegue, tome confiança, possibilitando de imediato ou futuramente em algum tipo de “dor de cabeça” ou coisa pior para você.


E crescemos assim. Sempre nos acercando de “escudos” tipo, braços cruzados sobre o peito, olhares de desconfiança do tipo que medem a pessoa de cima a baixo e sempre com o nariz empinado olhando a pessoa de cima como se você fosse superior, e é claro, não podemos esquecer de fazer uma bela cara de pouquíssimos amigos, daquela que você acha que vai levar uma bronca se por acaso pensar em se arriscar de abrir a boca para falar o que quer que seja. Isso quando também não usamos de algumas “lanças” como palavras ríspidas de autoridade ou de escárnio, e até mesmo se aproveitando de uma possível força física superior.


Natural, não é? Oras, é assim que vivenciamos nossas experiências em sociedade. Eu faço isso, você faz isso, todos fazemos isso, em diferentes níveis de consciência mas fazemos, e não adianta negar! E sabe o que é pior? Acreditamos nisso, como se fosse a única maneira possível de lidar com o “próximo”, mesmo com todos os alertas, conselhos e exemplos vividos por pessoas de atitudes e moralidade mais elevados, que tentam nos indicar um caminho mais pacífico para a inter- convivência através do respeito mútuo. E sabe o que é pior? Sabemos que eles tem total razão, mas continuamos com esse tipo de atitude de nível inferior.


Imaginemos então, a seguinte situação: Lá está você em seu serviço, sempre alerta com os outros e demonstrando auto-confiança (se utilizando das atitudes acima já citadas), quando do nada você escuta ao longe uma voz forte, mas melodiosa, cantando em alto e bom som hinos de louvor (as vezes um pagodinho). Curioso e estranhando tão ousada atitude, você para o que está fazendo e volta seus olhos para a origem da cantoria. E eis que do final do largo corredor aparece uma figura robusta, alta, de andar displicente com um enorme e largo sorriso cheio de dentes vindo em sua direção! Você é claro pensa: “Que é isso?”. De imediato, obedecendo seus instintos de autoproteção, você se fecha e se prepara, porque lá vem um famigerado pretenso concorrente. Tal figura chega perto de você, sua altura e seu sorriso parecem duplicar de tamanho. Então ele estica o braço direito em sua direção com a enorme mão espalmada e fala firmemente imitando uma voz meio que de Silvio Santos misturado com Lombarde: “OLÁ! SATISFAÇÃO EM COMPRIMEN-TA-LO! TENHA UM BOM DIA!”. Ele desfia esse comprimento, segurando sua mão e balançando todo o seu braço até o ombro, sem desarmar o enorme sorriso branco, cheio de dentes, e com um olhar sincero de que ele realmente está tendo tal satisfação em cumprimentar você! Então, totalmente desarmado, você mal consegue retribuir o cumprimento, fica balbuciando palavras meio desconexas, enquanto ele sai para cumprimentar outro com o mesmo entusiasmo!


Ele literalmente quebrou suas pernas. Mas você, se recuperando de tanto entusiasmo, retoma o “raciocínio” e pensa: “ Pô, esperto esse cara hein! Ele chega, toma atitudes inesperadas, te aborda já chegando com tudo, não lhe dando tempo de reagir...mas deixa ele! Ele não me engana!! Vou ficar “ligeiro” com esse fulano.”


No dia seguinte é a mesma coisa, e no seguinte, no seguinte, seguinte...Todo o santo dia é da mesma forma! Você escuta a canção, vê o sorrisão, recebe um cumprimento entusiasmado e fica parado sem saber o que o atingiu. Até que uma hora você se rende à simpatia dessa entusiasmada figura, e permite que ele se achegue mais, converse com você, brinque com você. Você se permite conhecê-lo melhor e ele à você!


BUM!! Está feito. Ele te conquistou. E as únicas armas utilizadas por ele, foram sinceridade no olhar, bom humor inabalável e é claro aquele enorme, largo e branco sorrisão cheio de dentes.


Eu também sou adepto do bom relacionamento com o próximo, sou sincero quando me dirijo a todos com um cumprimento e um sorriso, mas esse fulano é de um nível superior em matéria de boa convivência e respeito para com o próximo. Pra chegar à seu nível, acho que vou precisar de mais umas duas ou três encarnações. Acredito que Deus coloca essas pessoas em nossas vidas, para que possamos nos auto-avaliar, e para nos servir de exemplo. Nada é por acaso, não é mesmo?


Mesmo agindo de forma individualista, temos em nosso íntimo, uma vontade enorme de nos relacionarmos bem com todos, pois intimamente temos consciência de que não existem pessoas más, mas sim pessoas que erram, assim como também estamos passíveis de errarmos, e errarmos feio.


Como é natural, nos apegamos fortemente à este tipo de pessoa por que sempre queremos o que há de melhor ao nosso lado, mas nada é eterno, não é mesmo! Tudo o que é bom dura pouco, como diz o velho e sábio jargão popular. Essa tal pessoa tem que seguir sua vida ( ou seria missão? ), e para isso ela tem que sair das nossas. Ficamos tristes, arrasados mesmo! E num ímpeto instintivo, queremos não deixar que ela se vá. Mas isso no fundo é um sentimento egoísta, pois precisamos pensar, ter consciência de que outros precisam daquele sorrisão largo, branco e cheio de dentes. Que outros também precisam de tomar o mesmo choque que você levou para se auto-avaliar e seguir um bom exemplo. Nos resta apenas agradecer a Deus por nos ter dado a benção e a oportunidade de termos convivido com tal pessoa e desejar-lhe muitas bênçãos e saúde para continuar seu caminho, iluminando outros rostos e consciências, mudando para melhor outras vidas.


Credo! Isto está mais parecendo um epitáfio. Estou descrevendo essa pessoa quase que como se ela fosse santa! Mas o melhor é que ela não é (eu mesmo já escutei ela falar dois ou três absurdos). Ela é assim como nós, seres passiveis de erros. A importância dessa pessoa ser assim como nós, é o que nos dá esperança e a certeza de que podemos ser melhores, mesmo sendo tão passíveis de erros e enganos.


Autor: Eder Jackson


Essa carta chegou as minhas mãos pelo próprio autor, que veio me perguntar o que eu achava do texto, quando eu li tive a certeza que deveria compartilha-la com vocês, afinal vemos muito do que diz a carta no nosso dia-a-dia.


Às vezes perdemos ótimas oportunidades de amizades, por estarmos fechados para o mundo, que bom que o autor percebeu a tempo e pode desfrutar dessa amizade antes dessa pessoa seguir o seu caminho.


Pris


Porque acordamos com DORES, MAL ESTAR e DESÂNIMO pela VIDA (Visão Espírita)

Quando dormimos, nossa alma acorda. Não somos o nosso corpo, em essência, somos a consciência que habita nosso corpo. Quando adormec...