quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A Alma Também

     
   Casas de saúde espalham-se em todas as direções com o objetivo de sanar as moléstias do corpo e não faltam enfermos que lhes ocupem as dependências.
Entretanto, as doenças da alma, não menos complexas, escapam aos exames habituais de laboratório e, por isso, ficam em nós, requisitando a medicação, aplicável apenas por nós mesmos.
   Estimamos a imunização na patologia do corpo.
   Será ela menos importante nos achaques do espírito?
   Surpreendemos determinada verruga e recorremos, de imediato, à cirurgia plástica, frustrando calamidades orgânicas de extensão imprevisível.
   Reconhecendo uma tendência menos feliz em nós próprios é preciso ponderar igualmente que o capricho de hoje não extirpado será hábito vicioso amanhã e talvez criminalidade em futuro breve.
   Esmeramo-nos por livrar-nos da neurastenia capaz de esgotar-nos as forças.
   Tratemos também de nossa afeição temperamental para que a impulsividade não nos induza à ira fulminatória.
   Tonificamos o coração, corrigindo a pressão arterial ou ampliando os recursos das coronárias a fim de melhorar o padrão de longevidade. Apuremos, de igual modo, o sentimento para que emoções desregradas não nos precipitem nos desvãos passionais em que se aniquilam tantas vidas preciosas.
   Requintamo-nos, como é justo, em assistência dentária na proteção indispensável.
   Empenhemo-nos de semelhante maneira, na triagem do verbo para que a nossa palavra não se faça azorrague de sombra.
   Defendemos o aparelho ocular contra a catarata e o glaucoma. Purifiquemos igualmente o modo de ver. Preservamos o engenho auditivo contra a surdez.
   No mesmo passo, eduquemos o ouvido para que aprendamos a escutar ajudando.
   A Doutrina Espírita é instituto de redenção do ser para a vida triunfante. A morte não existe.
   Somos criaturas eternas. Se o corpo, em verdade, não prescinde de remédio, a alma também.

André Luiz

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Quando os Amores Partem



O que acontece com quem parte ou chega de um aeroporto faz parte de um tipo especial de memória.
Uma memória que parece ter uma persistência maior e uma existência mais viva do que aquela comum, que guarda o cotidiano e a rotina.
Estas as primeiras palavras da apresentadora de um programa televisivo muito singular, que descobre histórias e mais histórias, nos portões de chegada e partida de um aeroporto brasileiro.
Um desses relatos é de uma mãe, entre lágrimas, despedindo-se da filha, que passaria cerca de um ano estudando uma língua estrangeira num país distante.
Aquela senhora, muito simples, trazia um misto de alegria e saudade, pois se tratava de uma grande conquista da filha, pela qual havia trabalhado muito tempo para conseguir.
Narrou que nunca teve condições de sequer realizar os estudos regulares, mas que sua felicidade estava em ver o sucesso da filha.
A apresentadora, percebendo a dor que há em toda separação, disse: A senhora já está com a dor da saudade, eu percebo, mas ao mesmo tempo não dá alegria ver o filho conseguindo tudo isso?
Ela respondeu que sim, melhorando o semblante, e que a filha merecia tudo de bom que estava lhe acontecendo.
A alegria pareceu consolar a saudade naquele instante.
*   *   *
Retiramos deste relato uma reflexão principal.
Nesse mundo de chegadas e partidas constantes, será que não conseguimos enxergar a morte através dessa nova lente?
Será que não podemos entender que cada um tem seu tempo aqui, mas que terá outros afazeres, objetivos e etapas em outros lugares?
Tenhamos em mente essa figura, do filho que viaja para construir parte de sua vida em outro lugar, que parte para aprender e viver novas experiências.
O quanto ele sairá melhor dessa vivência nova!
O amor apego precisa começar a ser substituído pelo amor libertador, que pensa sempre no melhor para o outro, em primeiro lugar, antes de pensar no que é melhor e mais cômodo para si.
A dor da saudade é real e saudável, quando não nos tira do prumo, obviamente.
Na Espiritualidade, seja onde estivermos, não perderemos contato com nossos amores. A lei de afinidade entre as almas permite que nos encontremos aqui e ali, sem nunca perder esse vínculo poderoso que criamos.
*   *   *
Prosseguem vivendo aqueles a quem amas.
Aguarda um pouco, enquanto, orando, a prece te luarize a alma e os envolvas no rumo por onde seguem.
Esforça-te por encontrar a resignação. O amor vence, quando verdadeiro, qualquer distância, e é ponte entre abismos, encurtando caminhos.
Da mesma forma que anelas por volver a senti-los, a falar-lhes, a ouvi-los, eles também o desejam.
Necessitam, porém, evoluir, quanto tu próprio.
Se te prendes a eles demoradamente ou os encarceras no egoísmo, desejando continuar uma etapa que ora se encerrou, não os fruirás, porque estarão na retaguarda.
Libertando-os, eles prosseguirão contigo, preparar-te-ão o reencontro, aguardar-te-ão...
Não penses mais em termos de "adeus" e, sim, em expressões de "até logo mais".

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 56, do
livro 
Sementes de vida eterna, pelo Espírito Joanna de
Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.
Em 25.2.2013.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Transformando a Terra em Jardim




No mundo existem pessoas que alardeiam o que irão fazer e nem sempre o fazem. E outras que simplesmente agem, de forma silenciosa.
Essas são realmente as pessoas operosas e que são úteis à Humanidade, ao planeta.
Recordamos de um empresário bem sucedido, baiano, que adotou o Rio de Janeiro como seu segundo lar, por conta da beleza deslumbrante que o impressionou, quando de uma visita, ainda na juventude.
Por ter nascido no meio rural, convivido com a natureza, incorporou o hábito de separar sementes e mudas e plantá-las onde pudessem crescer livremente.
Tornou-se um autodidata da botânica e sua esposa, Satica, filha de imigrantes japoneses, a ele se aliou.
Em 1993, o casal iniciou o plantio de mudas próprias da mata atlântica, no costão leste do Pão de Açúcar, tendo em vista a carência de vegetação nesse local.
No entanto, não bastava plantar. Era necessária a manutenção. E o casal, então, subia e descia o morro, incansavelmente, retirando o insistente capim colonião, que brotava entre as lascas de pedra, de difícil manejo.
Também carregando água, a fim de garantir a sobrevivência das mudas, principalmente em épocas de estiagem.
Sete anos depois, foi a vez do morro Cara de Cão, um acidente geográfico incluído em área de proteção ambiental.
O senhor Nóbile Bulhões e a esposa deram início ao plantio, recuperando espaços degradados e colocando, no lugar de touceiras de capim, árvores que trariam mais alegria à natureza, flores e frutos.
Em dezenove anos, foram plantadas mais de doze mil mudas de pau-brasil, ipê, jequitibá, jatobá, pitomba.
No Pão de Açúcar já se transformaram em árvores frondosas, que trazem sombra, ar puro e paz para os animais locais.
Nóbile lembra que, ao chegar com as primeiras mudas de pau-brasil, foi interpelado por um policial que duvidava que ele e a esposa conseguissem êxito na sua empreitada.
Não cresce nada nesta pedra. Só capim, disse o policial.
Mas Nóbile rebateu: Se eu consegui plantar no sertão, consigo aqui também.
Sua tenacidade venceu.
Hoje, aos setenta e cinco anos, ao lado da esposa de setenta, ao contemplar seu trabalho de formiguinha, afirma, com voz pausada e bem educado: Somos apenas voluntários, cuja recompensa é vermos o fruto de nosso trabalho florescer.
Já pudemos presenciar várias árvores floridas e outras cheias de frutos, que alimentam pássaros. A nossa alegria é termos a certeza de que contribuímos um pouquinho para a natureza do nosso planeta.
*   *   *
Miremo-nos neste exemplo; um trabalho voluntário, quase anônimo, que começava antes de o dia clarear e só acabava à noite.
E continua até hoje.
Pensemos em como podemos auxiliar nosso planeta a ser um lugar melhor para hoje e para o futuro, fisicamente falando.
Um mundo sustentável, de ar puro, mata abundante, praias limpas.
Pensemos nisso e coloquemos mãos à obra.

Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos de
Nóbile Bulhões e no artigo 
Senhores do dedo verde, de Mariana
Sgarioni, de 
Seleções Reader´s Digest, de agosto 2012.
Em 14.2.2013.

Porque acordamos com DORES, MAL ESTAR e DESÂNIMO pela VIDA (Visão Espírita)

Quando dormimos, nossa alma acorda. Não somos o nosso corpo, em essência, somos a consciência que habita nosso corpo. Quando adormec...