quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

A Lei do Amor


            
            O amor resume toda a doutrina de Jesus, porque é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso realizado. No seu ponto de partida, o homem só tem instintos; mais avançado e corrompido, só tem sensações; mais instruído e purificado, tem sentimentos; e o amor é o requinte do sentimento. Não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior, que reúne e condensa em seu foco ardente todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas. A lei do amor substitui a personalidade pela fusão dos seres e extingue as misérias sociais. Feliz aquele que, sobrelevando-se à humanidade, ama com imenso amor os seus irmãos em sofrimento! Feliz aquele que ama, porque não conhece as angústias da alma, nem as do corpo! Seus pés são leves, e ele vive como transportado fora de si mesmo. Quando Jesus pronunciou essa palavra divina, — amor — fez estremecerem os povos, e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo.
            O Espiritismo, por sua vez, vem pronunciar a segunda palavra do alfabeto divino. Ficai atentos, porque essa palavra levanta a lápide dos túmulos vazios, e a reencarnação, vencendo a morte, revela ao homem deslumbrado o seu patrimônio intelectual. Mas já não é mais aos suplícios que ela conduz, e sim à conquista do seu ser, elevado e transfigurado. O sangue resgatou o Espírito, e o Espírito deve agora resgatar o homem da matéria.
            Disse que o homem, no seu início, tem apenas instintos. Aquele, pois, em que os instintos dominam, está mais próximo do ponto de partida que do alvo. Para avançar em direção ao alvo, é necessário vencer os instintos a favor dos sentimentos, ou seja, aperfeiçoar a estes, sufocando os germes latentes da matéria. Os instintos são a germinação e os embriões dos sentimentos. Trazem consigo o progresso, como a bolota oculta o carvalho. Os seres menos adiantados são os que, libertando-se lentamente de sua crisálida, permanecem subjugados pelos instintos.
            O Espírito deve ser cultivado como um campo. Toda a riqueza futura depende do trabalho atual. E mais que os bens terrenos, ele vos conduzirá à gloriosa elevação. Será então que, compreendendo a lei do amor, que une a todos os seres, nela buscareis os suaves prazeres da alma, que são o prelúdio das alegrias celestes

FÉNELON
                                                                    Bordeaux, 1861

Fonte: Evangelho Segundo o Espiritismo  

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Seja Sempre Natal



O auditório do Tribunal estava lotado. Mas não era para uma sessão judiciária. A quase totalidade das pessoas assentadas nas poltronas confortáveis jamais havia ali adentrado anteriormente.
Era um local para sessões muito especiais e a própria imponência das mesas, das cadeiras lhe dava um toque de solenidade e de pompa.
Alguns dos presentes conheciam o recinto, como os faxineiros, limpadores de vidraças, garçons, seguranças.
Contudo, nesse dia, as portas haviam se aberto e mais de três centenas de servidores terceirizados ali estavam, confortavelmente assentados.
Notava-se-lhes a surpresa. Alguns registravam sua presença, junto aos amigos, com suas câmeras fotográficas.
Um dia especial. Uma comemoração natalina. Um momento de gratidão.
Era esse o motivo daquele encontro. Presentes as autoridades judiciárias, deu-se início ao evento.
Um a um, eles discursaram. Não para os seus pares desembargadores e juízes, mas para os servidores, para as pessoas que, ao longo do ano, lhes serviram o café, o lanche, mantiveram o asseio do ambiente e lhes garantiram a segurança.
Cada um deles deixou extravasar o coração, dizendo que aquela confraternização era para dizer da gratidão àqueles servidores, por seu trabalho, ao longo do ano.
Contaram fatos estimuladores ao bem, lembraram a data natalina que se avizinhava, falaram a respeito do Celeste Aniversariante.
Cada qual com sua tônica, foi criando um ambiente de muita emoção.
Uma ou outra lágrima furtiva escapava dos olhos dos homenageados.
Então, a esposa de um desembargador tomou do violão e cantou. Sua voz se elevou como uma prece, alcançando os céus, graças à feliz escolha das canções.
Canções do nosso Brasil, canções que falavam da terra maravilhosa em que vivemos, do orgulho de ser brasileiro, da força de um povo que se ergue, a cada dia, para lutar e vencer.
Canções que convidavam ao amor ao próximo, à terra natal, à gratidão a Deus pela vida, por mais dura que ela se possa apresentar.
Em alguns momentos, o auditório ouvia, silencioso, em outros, incentivado pela cantora, a acompanhava, entre a alegria e a emoção.
Uma festa de corações. Os mais sensíveis sentiam asas invisíveis adejarem sobre todos, esparzindo bênçãos.
Amores que haviam partido, anjos de guarda, servidores do bem envolviam em doces abraços os presentes.
A harmonia das notas, a voz primorosa, os versos, tudo se elevava em envolvente prece.
Então, concluindo, a canção final se derramou pelo ambiente. Uma canção portuguesa que, entre seus versos proclamava:
É Natal, os sinos vão tocando
Enquanto nos seus lares famílias vão rezando.
É Natal, alegram-se as crianças.
O Pai Natal voltou com montes de lembranças.
É Natal, o mundo iluminou-se
Com a luz do perdão que Deus à Terra trouxe.
É Natal, Jesus vem nos dizer
Que só prá perdoar vale a pena nascer.
É Natal, os homens são irmãos,
Esqueceram o egoísmo e deram-se as mãos.
É Natal, poucas horas somente,
Que juntas são um dia, um dia diferente.
É Natal. Oh! Deus que me escutais
Fazei que os outros dias
Sejam todos Natais.
*   *   *
Que seja Natal todos os dias em nossas vidas!

Redação do Momento Espírita, com base em fato
ocorrido no Auditório do Pleno do Tribunal de Justiça
do Paraná, em 15 de dezembro de 2011.
Em  18.12.2012.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Mente e Sintonia




É creditado ao italiano Guilherme Marconi o uso das ondas eletromagnéticas para transmitir informações a longas distâncias.
No final do Século XIX, Marconi inicia seus experimentos, que darão origem ao telégrafo e, posteriormente, ao rádio.
Graças a isso, as distâncias passam a ser menores, e a comunicação intensifica-se.
Marconi partiu de um princípio da Física, segundo o qual ao se emitir ondas com determinada frequência, essas se propagam no espaço, podendo ser captadas por outro aparelho sintonizado na mesma frequência.
Hoje, os experimentos de Marconi pertencem à História e seus equipamentos são peças de museu, frente a toda a tecnologia desenvolvida desde então.
Porém, ainda podemos tecer valiosas reflexões a respeito desses seus estudos e descobertas.
Nossa mente atua, sempre, como uma grande usina geradora de ondas, com frequências peculiares.
A natureza do nosso pensar e sentir gera a qualidade da emissão, daquilo que emitimos e exteriorizamos em forma de pensamento.
Como as ondas de rádio, invisíveis e imperceptíveis para nós, assim são nossos pensamentos.
Não percebemos de imediato e nem visualizamos o que emitimos, mas nosso pensar está sempre gerando o ambiente, a psicosfera em torno de nós mesmos.
Assim é que pessoas otimistas vivem em uma frequência, em uma ambiência mais salutar do que as pessoas pessimistas.
Alguém sempre amoroso, carinhoso, compreensivo, terá em torno de si as qualidades relativas à natureza desses sentimentos.
Por sua vez, quem seja amargo, intolerante, impaciente gerará, para sua própria vivência, um ambiente mais tormentoso e difícil.
Assim, cuidar dos pensamentos é tarefa de urgente necessidade, mas, muitas vezes relegada, quando não esquecida ou desconhecida.
Somos o resultado do que pensamos, sentimos e agimos, direta e indiretamente.
Portanto, será sempre mais proveitoso buscarmos a reflexão otimista ao pensamento pessimista, a análise compreensiva ao julgamento crítico, o bem pensar ao julgamento severo.
Não é alienar-se do mundo, ou vê-lo de maneira ingênua ou parcial.
É a opção por viver no mundo, enfrentando seus desafios e lutas, com ferramentas diferentes, que serão mais valiosas e eficazes, nos proporcionando, ademais, saúde e bem-estar.
Dessa forma, vigiar nosso pensar no dia a dia, será sempre ação benéfica para nós mesmos.
Ao optarmos pela vigilância da nossa casa mental, nos proporcionamos a oportunidade de abandonar o medo, a insegurança, as angústias. E abraçarmos o bem, o bom e a confiança em Deus.
Atentemos para a recomendação de Jesus de orarmos e vigiarmos, entendendo que o Amigo Divino nos convida a  vigiarmos nosso pensar e a utilizarmos a oração como ferramenta de apoio e reestruturação mental.
*   *   *
O pensamento é força vital gravitando no Universo. Fonte poderosa, pode verter luz pacificadora ou se transformar em cachoeira destruidora.
Pensemos nisso.
Redação do Momento Espírita.
Em 8.12.2012.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A Beneficência


UM ESPÍRITO PROTETOR
Lyon, 1861
            15 – Meus caros amigos, cada dia ouço dizerem entre vós: “Sou pobre, não posso fazer a caridade”. E cada dia, vê que faltais com a indulgência para com os vossos semelhantes. Não lhes perdoais coisa alguma, e vos arvorais em juízes demasiado severos, sem vos perguntar se gostaríeis que fizessem o mesmo a vosso respeito. A indulgência não é também caridade? Vós, que não podeis fazer mais do que a caridade indulgente, faz pelo menos essa, mas fazei-a com grandeza. Pelo que respeita à caridade material, quero contar-vos uma história do outro mundo.
            Dois homens acabavam de morrer. Deus havia dito: “Enquanto esses dois homens viverem, serão postas as suas boas ações num saco para cada um, e quando morrerem, serão pesados esses sacos”. Quando ambos chegaram à sua última hora. Deus mandou que lhe levassem os dois sacos. Um estava cheio, volumoso, estufado, e retinia o metal dentro dele. O outro era tão pequeno e fino, que se viam através do pano as poucas moedas que continha. Cada um dos homens reconheceu o que lhe pertencia: “Eis o meu, — disse o primeiro — eu o conheço; fui rico e distribui bastante!” O outro: “Eis o meu. Fui sempre pobre, ah! Não tinha quase nada para distribuir”. Mas, ó surpresa: postos na balança, o maior tornou-se leve e o pequeno se fez pesado, tanto que elevou muito o outro prato da balança. Então, Deus disse ao rico: “Deste muito, é verdade, mas o fizeste por ostentação, e para ver o teu nome figurando em todos os templos do orgulho. Além disso, ao dar, não te privaste de nada. Passa à esquerda e fica satisfeito, por te ser contada a esmola como alguma coisa”. Depois, disse ao pobre: “Deste bem pouco, meu amigo, mas cada uma das moedas que estão na balança representou uma privação para ti. Se não distribuíste a esmola, fizeste a caridade, e o melhor é que a fizeste naturalmente, sem te preocupares de que a levassem à tua conta. Foste indulgente; não julgaste o teu semelhante; pelo contrário, encontraste desculpas para todas as suas ações. Passa à direita, e vai receber a tua recompensa.

Porque acordamos com DORES, MAL ESTAR e DESÂNIMO pela VIDA (Visão Espírita)

Quando dormimos, nossa alma acorda. Não somos o nosso corpo, em essência, somos a consciência que habita nosso corpo. Quando adormec...