sexta-feira, 20 de maio de 2011

O Inferno à luz da Doutrina Espírita



       A idéia mais comum de inferno como um determinado local, no interior da Terra, onde as almas são condenadas a viver, eternamente, em verdadeiro suplício como conseqüência dos erros cometidos, não é aceita pelo Espiritismo. De acordo com a Doutrina Espírita, o inferno é estado íntimo de espírito, ainda sintonizado com o mal, seja desencarnado ou encarnado. Mas é uma situação temporária, da qual se liberta com o progresso moral, conquistado através das encarnações. Não é uma situação permanente, irreversível. 
        Pode-se argumentar que o próprio Cristo ameaçou os homens maus com o fogo eterno. Sem dúvida, se pesquisarmos nas traduções tradicionais dos textos evangélicos, encontraremos a referência de Jesus ao fogo eterno. Mas, se aprofundarmos um pouco mais no estudo, veremos que o pensamento de Jesus não é draconiano. Carlos Torres Pastorino, que era professor de grego na Universidade de Brasília, em seus estudos evangélicos, esclarece-nos que a palavra grega que adjetiva o substantivo fogo não foi adequadamente traduzida, porquanto a melhor tradução não é "eterno", mas sim "imanente". A mudança de sentido é muito grande. Imanente se refere ao estado íntimo da criatura e não tem o caráter de irreversibilidade que tem o adjetivo eterno. 
        Com esta tradução, o pensamento de Jesus fica mais coerente com a sua personalidade, que exterioriza profundo amor e misericórdia. 
        Como afirmamos acima, o inferno íntimo pode ser um estado do espírito encarnado, mas é pior após a desencarnação, porque o corpo material como que amortece a dor da consciência. No Mundo Espiritual, o espírito compreende melhor as leis de Deus e percebe, com mais nitidez, a gravidade dos erros cometidos, motivo por que sofre mais. 
        Um outro aspecto que precisa ser ressaltado é que os espíritos endurecidos, vinculados ao mal, permanecem, por tempo mais ou menos longo, em regiões inferiores do Plano Espiritual, denominadas por André Luiz de umbral. Neste estado, o espírito sofre muito. Embora o umbral corresponda, em vários aspectos, ao inferno descrito classicamente, a permanência do espírito nessa situação é temporária e depende dele mesmo, que sairá, tanto mais rapidamente, quanto mais cedo mudar a sua situação íntima, manifestando o desejo de melhorar. Os "demônios" que se encontram naquelas regiões são espíritos de pessoas de índole má, que se recusam a melhorar-se. 
        Os espíritos bons e os que não são endurecidos, após a desencarnação, habitam em colônias espirituais, onde a vida é melhor do que a da Terra. Os espíritos que se melhoram no umbral também são recolhidos a colônias, naturalmente menos evoluídas, mas onde o bem domina completamente. 
        Compete, pois, à própria pessoa edificar, ou se libertar do inferno interior.


Umberto Ferreira


Fonte: Revista "Reformador"

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