quinta-feira, 15 de março de 2012

Oração sem ação: moeda de apenas uma face



Autor: Wellington Balbo

O jovem pregador do Evangelho rumava para cidade próxima a sua, estava feliz pela oportunidade de servir a causa do Cristo, era com entusiasmo que levava a mensagem da Boa Nova, em palestra de divulgação da doutrina espírita. 

No caminho que separava as duas localidades um imprevisto lhe apanhou de surpresa, grave dor nos rins indicava que a noite seria longa e provavelmente visitaria hospital. De quando em quando cálculos renais incomodavam-lhe, convocando sua presença a pronto socorro para receber os benefícios da ciência pelas abençoadas mãos da medicina. 
À medida que se aproximava da cidade onde seria realizado o evento, a dor tornava-se mais e mais aguda. Teria mesmo que parar em hospital da cidade e desmarcar a palestra. Chateado com o rumo que tomava a situação, lembrou-se da prece e seus benefícios. Rogaria o auxílio da Espiritualidade, na esperança de poder participar do evento. 
Orou fervorosamente, deixou que falasse seu coração em sentida prece dirigida aos benfeitores espirituais. Enquanto conversava com os Céus sentia uma onda de calor invadir-lhe o íntimo do Ser a sinalizar que suas rogativas seriam atendidas. 
A hora da palestra se aproximava e gradativamente a dor do jovem pregador diminuía, aumentando sua confiança. Chegou ao local do evento sem qualquer resquício do constrangimento orgânico. Realizou a palestra tranqüilamente, cumprindo seu papel. Ao término do evento, após os costumeiros abraços, sentiu novamente as agulhadas impiedosas provocadas pelos cálculos renais, no entanto, agora mais tranqüilo, poderia curtir sua dor no hospital mais próximo sem a preocupação em ter que desmarcar a palestra de divulgação da Boa Nova.
A história acima mostra claramente o benefício da Espiritualidade em favor do jovem pregador. O leitor poderá estranhar a afirmação, porquanto o benefício foi apenas parcial, permitindo-lhe tão somente a realização da palestra. Após o término do evento a dor retornou. Que benefício é este?
Ora, a oportunidade de servir uma causa nobre e poder, mesmo que por alguns minutos livrar-se do incômodo e mal estar, já é um grande benefício prestado pela Espiritualidade. Não podemos ignorar a questão do merecimento. Provavelmente o protagonista do fato em questão não era portador de méritos que lhe livrassem por completo da dor física. Há situações que devemos passar para nosso próprio amadurecimento espiritual, e talvez fosse necessário que ele passasse por esse constrangimento orgânico, para poder dar mais valor à existência e importância à saúde.
Em nossas orações, fatalmente, um pedido que não falta é o de saúde. Costuma-se dizer que: com saúde podemos tudo, corremos atrás do prejuízo e damos a volta por cima. Pede-se saúde a Deus, contudo poucos são aqueles que se preocupam em cuidar da saúde verdadeiramente. Filhos mimados costumam culpar os pais pelos seus desatinos, mesmo depois de serem socorridos inúmeras vezes por eles. E é assim que muitos de nós agimos, como se nosso bem estar competisse tão somente ao Todo Poderoso. Devemos deixar de ser mimados. É um lamentável e prejudicial engano considerar que a Espiritualidade cuidará de nós como se fôssemos eternas crianças. É tempo de amadurecer, tomar a vida nas próprias mãos. O que não quer dizer que não podemos pedir auxílio ao Alto. Sim, podemos e devemos contar com o apoio da Espiritualidade, mas imprescindível é que também nos ajudemos.
O interessante deste fato é mostrar que a Espiritualidade auxilia, contudo, a tarefa principal fica sob nossa responsabilidade. Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” Cap XVII – “Pedi e Obtereis” - , Kardec traz notável exemplo que transcrevemos abaixo:
“Tomemos um exemplo. Um homem se acha perdido no deserto. A sede o martiriza horrivelmente. Desfalecido, cai por terra. Pede a Deus que o assista, e espera. Nenhum anjo lhe virá dar de beber. Contudo, um bom Espírito lhe sugere a idéia de levantar-se e tomar um dos caminhos que tem diante de si Por um movimento maquinal, reunindo todas as forças que lhe restam, ele se ergue, caminha e descobre ao longe um regato. Ao divisá-lo, ganha coragem. Se tem fé, exclamará: "Obrigado, meu Deus, pela idéia que me inspiraste e pela força que me deste." Se lhe falta a fé, exclamará: "Que boa idéia tive! Que sorte a minha de tomar o caminho da direita, em vez do da esquerda; o acaso, às vezes, nos serve admiravelmente! Quanto me felicito pela minha coragem e por não me ter deixado abater!"
Notável exemplo que demonstra a importância de nossas atitudes!
Há muitas pessoas que sofrem porque desconsideram princípios básicos para uma existência saudável. Consideram que a Espiritualidade resolverá tudo, como num passe de mágica. Vão ao centro espírita e tomam passe, recebem os presentes da Espiritualidade, experimentam uma certa melhora e... abusam, incorrendo nos equívocos que as fizeram ter a saúde debilitada. 
A oração é um benefício que só atingirá o objetivo da melhoria da qualidade de vida se for aliada com a prática. A oração sem iniciativa é moeda de apenas uma face e fica assim com a eficácia comprometida. Para que a oração surta efeito se faz mister introduzirmos a outra face da moeda, tomando as rédeas da própria vida e agindo em benefício próprio, orando, mas também realizando em prol de si mesmo.

Pensemos nisso.



Referência bibliográfica:

KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. São Paulo, Ed. FEESP.

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